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O sacramento primordial

Por www.padrepauloricardo.org O quinto ciclo de catequeses de São João Paulo é essencial para a Teologia do Corpo porque aborda justamente o sacramento do Matrimônio cristão. Muitos estranharam o fato de que a questão do celibato tenha vindo primeiro. É simples: a doação de si mesmo por amor ao reino dos Céus, sinaliza que a humanidade tem por finalidade um outro casamento, o qual será vivido na eternidade: o casamento entre Cristo e a Igreja, que o Livro do Apocalipse chama de “as núpcias do Cordeiro”. Todavia, o matrimônio não é entendido como sendo um sacramento por todos. A denominação luterana, por exemplo, alega que, como os sacramentos são sinais instituídos por Nosso Senhor Jesus, o matrimônio não se encaixaria neles pelo simples fato de existir antes da Encarnação, ou seja, não foi instituído por Cristo. Os católicos, porém, crêem que o matrimônio natural (de fato, anterior ao advento do Senhor) foi elevado por Deus à condição de sacramento. São João Paulo escolheu como...

O matrimônio eterno de Deus com a humanidade

Fonte - www.padrepauloricardo.org São João Paulo II, de modo inovador, compara a exposição dos três primeiros ciclos de catequese da Teologia do Corpo a um tríptico[01]. Nesta analogia, o primeiro painel traz a seguinte frase de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Mas não foi assim desde o princípio” (Mt 19,3). O segundo mostra o homem depois do cometimento do pecado original. “Todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração.” (Mt 5, 27-28). Finalmente o terceiro e mais importante quadro, fala sobre a finalidade do homem. Partindo da controvérsia de Jesus com os saduceus em Marcos, capítulo 12, extrai a seguinte frase: “Acaso não estais errados, porque não compreendeis as Escrituras e nem o Poder de Deus?”. O tríptico, portanto, apresenta o homem antes do pecado, durante o estado de pecado e, finalmente, como se tornará depois da ressurreição. Para se definir algo, a melhor maneira é apresentar a sua finalidade. Pois bem, ...

Cristo apela ao coração humano

www.padrepauloricardo.org No segundo ciclo de catequeses sobre a Teologia do Corpo, São João Paulo II fala sobre o projeto da redenção para a sexualidade humana. Enquanto o primeiro ciclo estava voltado para a Criação, o segundo olha mais atentamente para a Redenção. Como ponto de partida para sua reflexão, o Papa recorre às palavras de Jesus: “Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mt 5, 27-28). Com isso, Jesus traz um novo conceito de adultério. Não se trata mais, como no Antigo Testamento, de simplesmente deitar-se com a mulher do próximo. Agora, um novo ethos é posto, é instituída a ética do coração: não basta não praticar o ato externo pecaminoso; é preciso amar, verdadeiramente. Antes de entender como a sexualidade humana é redimida, é preciso olhar como está o coração do homem após o pecado original. No diálogo entre a serpente e a mu...

As experiências originais do ser humano

Fonte - www.padrepauloricardo.org O grande legado do Papa João Paulo II foi a sua “Teologia do Corpo”, dividida ao todo em seis grandes ciclos de Catequeses. O primeiro vai até a 23ª e recebeu o título de “No princípio”. Conforme visto na aula anterior, a frase basilar do primeiro ciclo foi: “Disse Jesus: “No princípio não era assim” (Mt 19,3 e Mc 10,2). Ora, se a realidade atual do sexo entre homem e mulher não é do jeito que Deus pensou no início, como era então? Para responder essa indagação, Papa João Paulo II parte da análise do relacionamento entre homem e mulher antes do pecado original. Iniciando as reflexões, apresenta no primeiro ciclo três pontos fundamentais: a solidão originária, a comunhão originária e a nudez originária, que são chamadas por ele de “experiências originais do ser humano”, ou seja, estavam no início e hoje não estão ou se apresentam de maneira deformada. Christopher West diz: João Paulo lança um olhar animador sobre as estórias da criação. (...) E...

"No princípio não era assim"

Fonte - www.padrepauloricardo.org O primeiro ciclo de catequeses proferidas por São João Paulo II a respeito da Teologia do Corpo versou sobre a análise de uma palavra extraída do versículo 8, do capítulo 19, do Evangelho de São Mateus, quando Jesus diz: "Mas não foi assim desde o  princípio ." O Papa se põe, ao longo de 23 catequeses, a analisar qual era o projeto inicial de Deus, como Ele pensou a criação. Antes de mais nada é preciso entender o contexto em que Jesus pronunciou a palavra. Vejamos a passagem completa: Alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e, para experimentá-lo, perguntaram: "É permitido ao homem despedir sua mulher por qualquer motivo?" Ele respondeu: "Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formarão uma só carne'? De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe"...

A Teologia do Corpo do Papa João Paulo II

Fonte - www.padrepauloricardo.org O Bem-Aventurado Papa João Paulo II deu continuidade à tradição iniciada pelo Papa Pio IX, em 1870, com as chamadas Audiências Gerais. Elas acontecem desde então, às quartas feiras, e são um modo de o Sumo Pontífice relacionar-se mais de perto com os peregrinos. Nelas são proferidas as chamadas "catequeses". Enquanto ainda era cardeal, o Papa João Paulo II iniciou a escrita de um livro que acabou não sendo nem terminado nem publico, justamente por sua eleição. Tal livro, intitulado "Homem e Mulher Ele o Criou", teve seus capítulos apresentados durante as Audiências Gerais do ano de 1979 até 1984. Foram 129 catequeses a respeito da chamada Teologia do Corpo, que jogou a luz do Evangelho sobre a confusão moderna que se instalou sobre o relacionamento entre homem e mulher. O Papa conseguiu apresentar a sexualidade humana de maneira fiel ao ensinamento da Igreja e, ao mesmo tempo, nova. A tradição foi apresentada de um modo que o...

A gastrimargia e sua prole

fonte - www.padrepauloricardo.org A primeira das doenças espirituais a ser abordada é a gula. Os gregos chamam-na γαστριμαργία (lê-se:  gastrimargía ), que quer dizer, etimologicamente, “loucura do estômago”. Embora as pessoas tenham deixado de considerá-la pecado, trata-se de um mal muito importante contra o qual lutar. Não sem razão o Doutor Angélico dedica uma questão inteira de sua Suma Teológica (II-II, q. 148) para explicar em que ela consiste, quais as suas espécies (a. 4) e qual é, por assim dizer, a sua prole (a. 5). Importa dizer, em primeiro lugar, que, de fato, a gula é um pecado (a. 1). Não é que sentir fome seja doença, nem que sentir prazer com a comida seja errado – se fosse, Deus não nos daria papilas gustativas. Assim, “não é gula todo e qualquer desejo de comer e beber, senão o desejo desordenado [ sed inordinatum ]”. Isso significa dizer que há uma ordem estabelecida por Deus para regular nosso relacionamento com os alimentos. Na última aula, fizemos um...