Eu já quis acelerar os ciclos da vida e crescer mais rápido do que a natureza. Peguei inverno no outono e não abracei, no momento certo, o sol do verão. Necessito de pausas maiores entre as respirações: inspirar e expirar mais lentamente e sentir o fluido do ar; o cheiro do ar. O cheiro do ar é tão sutil que a gente não sente cheiro algum. Adoro esse não cheiro do ar, por assim dizer. Entrego-me aos prazeres do cotidiano. É hora de transformar responsabilidades em diversão: oportunidades de ampliar meus horizontes e aquecer meu coração a partir do convívio atento comigo mesma. Lembrar-me disso é uma conquista. A confirmação vem com atitudes novas que nascem e eu as nutro. A ação diária de amor por mim mesma e pela vida está. Não sinto apenas desejo (este que me desvia de mim): vejo o risco de cair nos precipícios disfarçados de grama verde. Desafio. Viver é perigoso, disse Guimarães Rosa. E dói: perante o mundo e sua grandeza, nós, seres humanos somos ...
“Minhas mortificações consistiam em refrear minha vontade, sempre prestes a se impor.”