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Uma pausa

Eu já quis acelerar os ciclos da vida e crescer mais rápido do que a natureza. Peguei inverno no outono e não abracei, no momento certo, o sol do verão. Necessito de pausas maiores entre as respirações: inspirar e expirar mais lentamente e sentir o fluido do ar; o cheiro do ar. O cheiro do ar é tão sutil que a gente não sente cheiro algum. Adoro esse não cheiro do ar, por assim dizer. Entrego-me aos prazeres do cotidiano. É hora de transformar responsabilidades em diversão: oportunidades de ampliar meus horizontes e aquecer meu coração a partir do convívio atento comigo mesma. Lembrar-me disso é uma conquista. A confirmação vem com atitudes novas que nascem e eu as nutro. A ação diária de amor por mim mesma e pela vida está. Não sinto apenas desejo (este que me desvia de mim): vejo o risco de cair nos precipícios disfarçados de grama verde. Desafio. Viver é perigoso, disse Guimarães Rosa. E dói: perante o mundo e sua grandeza, nós, seres humanos somos ...

Abra-se para a POESIA!

"Como hei-de segurar a minha alma para que não toque na tua? Como hei-de elevá-la acima de ti, até outras coisas? Ah, como gostaria de levá-la até um sítio perdido na escuridão até um lugar estranho e silencioso que não se agita, quando o teu coração treme. Pois o que nos toca, a ti e a mim, isso nos une, como um arco de violino que de duas cordas solta uma só nota. A que instrumento estamos atados? E que violinista nos tem em suas mãos? Oh, doce canção..." (Rainer Maria Rilke) Preciso da poesia para elevar a mente a outro lugar. Que ela venha agora e clareie a minha visão, para que eu expanda meu amor pela vida. Que toda a alegria de viver que está disponível aqui e agora me alcance.   Somos tão fragmentados; raramente conseguimos reconhecer os milagres manifestados no cotidiano. É por isso que eu preciso de poesia: para respirar ares mais puros e resgatar o olhar de simplicidade diante da vida. Sou assim: elejo "o p...

Sou(L)

Eu e minha alma, em Bombinhas, SC Estou plena de ausências e a imaginação fecunda. O exercício fazer da falta um algo Eu sou a falta E me quero, já disse que me amo. Da falta vibra o desejo e a dor Eu os observo de longe e de perto constato a sua transitoriedade Paz, não falta. Entreguei ao todo a ansiedade o querer fazer ser qualquer coisa Sou(L) Com Alma. Deixei o tempo me ensinar.

Diurna

Com Luiz em Bombinhas - SC (curta www.facebook.com/paulabeckher) A poesia do dia é assim sem poeira. Os velhos fardos do tempo, o tempo levou. E eu, como sempre, aqui estou a escrever o que me vêm momento após momento agora na companhia do sol. Sigo caminhando passo a passo agradecendo esse compasso. Esta poesia de tão leve quase não se pode sentir. Esvaziada de toda densidade, livre que qualquer melancolia: arbítrio de ser feliz. Entre outras demandas do cotidiano a poesia se faz, simples e clara (onde estarão as entrelinhas?). Não me incomodo se incomodo: decidi ser feliz agora sem vergonha nenhuma. Vem comigo? É só Amar. Use filtro solar! E curta www.facebook.com/paulabeckher  ;)) Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém.  Caio Fernando Abreu E vamos confiar na vida! ;)

Palavras momentâneas

Que bom que tenho o papel, este aqui, bem virtual em que descarregar a agressividade. Pois quando a gente se confessa a gente se cura. Estou me confessando. Não preciso de cura, apenas. Preciso de mudança de hábitos. Isso que tento promover nas aulas que dou na Escola Estadual.  É muito difícil, mas não é impossível. E agora está tudo desabando por aqui. Mais uma vez as coisas estão todas fora do lugar. Mas, dessa vez, não questiono. Dessa vez não quero mudar o meu andar, o meu ritmo  (também não quero não mudar) .  E mudo. Mudo, pois não me cobro querendo mudar. Mudo, pois mudar é o que é o mais natural. Mudar é a maneira de continuar a ser eu mesma. Tudo está em curso. Tudo está tomando seu caminho próprio e eu continuo a ver com meus próprios olhos o mundo. Sei que certas vidas existem somente quando as sinto no coração. Sobre as criações mirabolantes da minha mente: elas são fruto da invenção do meu viver. Quando medito ao bater os dedos nas teclas...

Rara Flor

Eis porque a tristeza também passa:  a novidade em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração,  penetrou no seu mais íntimo recanto.  Nem está mais lá - já passou para o sangue.  Não sabemos o que houve.  Rainer Maria Rilke Se antes eu escrevia do vazio, agora veio o cheio que eu nunca desejei, mas sempre quis. O motivo pelo qual eu ansiei, chegou, trazendo de brinde a transformação inevitável. Com toda a dor e um pouco de sofrimento liberado no perdão e na paz há muito acalentada. Meu coração é grande, é verdade. Cabe nele mais esse deserto. Nascerá, a tempo, rara flor. Eu praguejei a estagnação. Ela passou. E não praguejo mais nada. Vou sentindo o buraco no meu peito por onde entra amor e mais amor e expande a minha força de sempre superar o medo do escuro.  Mas a verdadeira dor é a do apego. Apego ao que é passado e nunca passou em mim. Isso a que me agarro, e que está morrendo bem agora. Estou vivenciando mais uma morte......

Não quero mais andar na contramão

Por Paula Beckher O título é de Raul Seixas e a imagem é de um selo Português que homenageia o poeta Fernando Pessoa . Antes, eu escrevia para desabafar, por rebeldia e para sonhar. Desde sempre escrever me serviu muito – a serventia, no entanto, sempre me foi um mistério. Toda santa vez que eu quis colocar o uso da escrita a favor de meus interesses imediatos, ela falhou. Deus está querendo me ensinar a ter visão, não é de hoje. Até que enfim chegou o dia em que consegui tirar a trave do meu olho. E eu cega estava tentando fazer todo mundo ver. Ver o que? Ver que eu também não via. Hoje escrevo para agradecer. Era para ver o que eu não preciso de olho são para reconhecer, ver o essencial, o que vibra dentro do coração de cada ser que vive, nasce, cresce e morre. Mas isso não é de ver, veja bem, é de sentir! Antes do ver, vem o sentir. Eu não via por estar muito ocupada para conseguir sentir o que eu estava sentindo, ocupada em pensar e racionalizar, porque se...