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Palavras momentâneas


Que bom que tenho o papel, este aqui, bem virtual em que descarregar a agressividade. Pois quando a gente se confessa a gente se cura. Estou me confessando.

Não preciso de cura, apenas. Preciso de mudança de hábitos. Isso que tento promover nas aulas que dou na Escola Estadual.  É muito difícil, mas não é impossível.

E agora está tudo desabando por aqui. Mais uma vez as coisas estão todas fora do lugar. Mas, dessa vez, não questiono. Dessa vez não quero mudar o meu andar, o meu ritmo (também não quero não mudar)

E mudo. Mudo, pois não me cobro querendo mudar. Mudo, pois mudar é o que é o mais natural. Mudar é a maneira de continuar a ser eu mesma.

Tudo está em curso. Tudo está tomando seu caminho próprio e eu continuo a ver com meus próprios olhos o mundo. Sei que certas vidas existem somente quando as sinto no coração.

Sobre as criações mirabolantes da minha mente: elas são fruto da invenção do meu viver. Quando medito ao bater os dedos nas teclas e liberto o pensamento, as coisas melhoram; pois coloco para fora o que está entalado na garganta, o que não falei, mas expressei em feições faciais, Aquilo que não falo, eu grito e descabelo.

Sou gente de carne, osso e sem voz. Tenho uma mente que exige de mais das minhas cordas vocais. Não é possível acompanhar o pensamento com a voz e é por isso que me tornei escritora. Na escrita manifesto sem preocupação com a preservação da vida, da voz, da diplomacia.

É aqui o lugar em que eu digo o que tenho a dizer. E me calo em meio a palavras momentâneas.

Comentários

  1. Todos precisamos de um refúgio, onde nos dá-mos às palavras... como quem faz amor!...


    Beijos,
    AL

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