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Quem é Paula Beckher?


“Não é o que você pensa que é! Não podemos pensar sobre a presença e nem a mente pode entendê-la. Compreender a presença é estar presente”. Eckhart Tolle, “O Poder do Agora”.

Naquela quarta-feira não havia me ocorrido ler o livro acima, de onde tirei a citação escolhida. Era mais uma vez, quarta-feira! As quartas-feiras são dias em que o sino do acaso soa e faz com que eu ouça o que a intuição me diz.  E eu ouço! Às vezes com uma semana de atraso, mas tudo bem! Nas ultimas quartas-feiras eu tive a chance de viver "agoras" que ficaram para sempre na memória e, portanto, no passado! Sim, eu te conto do passado bem agora. O que me faz trazer a tona fantasmas de outros tempos...

What? Calminha! Se não contei antes foi apenas por preferir infinitamente mais o presente que o passado ou o futuro. E é isso o que quer dizer "não ligar muito para fatos". Eu, como outros, antes, ao mesmo tempo e depois de mim somos pessoas que se cansam enormemente quando têm de contar aos outros um fato. O fato é um bloco enorme de pedra; imóvel. Um fato e sua objetividade colossal.

 O bloco de pedra colossal acima eu o vi no Museu Britânico, em Londres. Retirado do templo mortuário de Ramsés em Tebas. O buraco no lado direito parece ter sido feito pelos membros da expedição de Napoleão ao Egito, no final do século XVIII, numa tentativa infrutífera de remover a estátua.

O fato é que aquele dia eu estava mais uma vez "ao acaso". Andava pacífica e tranquilamente e, apesar de ter aparentes razões para me apressar - em poucos minutos eu teria que estar no ensaio do grupo de teatro que coordeno e não tinha conseguido escrever mais nada da peça que eles encenariam dali a uma semana (e que – ufa! - foi adiada em cima da hora para o dia 28 de novembro) - eu me mantive calma e continuei a viver cada segundo passo a passo. 

Você que é de Três Pontas concorda que quando andamos a pé demoramos mais, nem sempre por que é mais longe, e sim por que paramos o tempo todo para conversar com um, falar com outro... E há coisas que nos lembramos de fazer bem na hora em que passamos por um determinado lugar. Aí aproveitamos que estamos bem ali e pronto, já nos desviamos da meta e o caminho se torna mais longo. Mas, Chapeuzinho Vermelho há muito nos ensinou sobre o perigo dos atalhos...

O “caminho longo” me levou a visitar um tio que havia meses eu estava pretendendo visitar. Eu estava passando por sua rua, quando encontrei a Andréa, sua filha e minha prima, que o chamou à janela para me ver. E foi assim que entrei. O tio Paulo Costa entende t-u-d-o sobre genealogia, assunto que muito me interessa.  Em nossa conversa ele me contou sobre os avôs, avós, bisos, bisas e muito mais! Eu já sabia de uma ancestral chamada Leocádia Beckher, que era alemã, e não sabia que havia uma parte da família que vinha de São Paulo e que era descendente do Amador Bueno - o aclamado - personagem histórica que foi capitão-mor e ouvidor na Capitania de São Vicente em 1627. 

Foi em homenagem à minha tataravó alemã que assumi seu sobrenome por uns tempos em meu perfil doFacebook e por aqui! E também por conta do excesso de imaginação e criatividade: por esta vontade incessante que escritores têm de viverem temporariamente a vida das outras pessoas como forma de fazerem uma pesquisa para este ofício difícil que é o de registrar estados de alma.


Foto tirada no Museu de História Natural de Londres. "A mudança pode ocorrer  lentamente, intermitentemente, enormes mudanças são construídas por um milhão de eventos pequenos. Alguns processos funcionam tão lentamente que no período de uma vida humana nada parece mudar."

E enquanto convivo com esse nome novo penso sobre qual o algo dela que chega hoje até a mim me fazendo adotar um novo olhar para a vida? Qual será o potencial que vindo dos tempos antigos agora se materializa em minha alma? Muda, no silêncio do meu ser, não posso elaborar um pensamento que responda a essas questões; mas inexplicavelmente estou livre do desejo de fazer da vida algo diferente do que ela é.  Afinal; "alguns processos funcionam tão lentamente que no período de uma vida humana nada parece mudar".

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